È madrugada.
Acordo ao som da chuva no telhado.
A escuridão ainda se faz e busco ao longe,
um ponto de luz para
fixar o meu olhar.
A luz disforme parece apenas tremular
sob os pingos da chuva.
O sono foi embora e faz muito frio aqui fora.
Pensamentos me trazem lembranças de outrora.
Já senti este mesmo frio numa outra noite de inverno.
Já me senti assim tão solitária. É verdade.
Quando se acorda na madrugada,
a nitidez clareia os pensamentos
e, no momento do completo relaxamento, por aí afora,
a saudade saí em busca de respostas.
As horas são mais lentas e o tilintar das gotas, mais
intensas.
Tua imagem e palavras saltitam na lembrança
quais gotículas d’agua que se desprendem, uma a uma,
enquanto tento esquecer o passado.
Quero apenas visualizar o meu presente.
Quero me apropriar da vida neste único instante.
Quero dividir meus sonhos itinerantes.
Quero... quero... quero.
Nem sei o que quero, realmente!
Sei desta antiga melancolia, companheira solidão,
que impregna meus dias e noites.
Vazio sem sentido. Busca da minha própria essência.
Estar aqui e agora é estar viva.
Viver é o que de fato, importa.
Então, por que será que te sinto assim presente?
Em qualquer música que ouço
ou nas gotas que caem agora incessantes?
Brigo com meu sentimento controverso.
Discuto a insanidade deste amor à distância.
Quebro as taças da paixão.
Busco esquecer e, quanto mais tento, menos eu consigo.
Será eterno este tilintar
na memória,
Em todos os vindouros dias, enquanto viva,
Eu não esquecerei a nossa estória?
Chuva da madrugada, porque não lava a minh’alma?
© Ctba_PR_ Junho_2008.

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